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Degustação dos Vinhos do Tejo

21/03/2014

vinhos-do-tejo

 

Por Rodrigo Mammana

A SBAV-SP teve o prazer de conferir mais uma edição do evento “ Vinhos do Tejo”, ocorrido 13 de março no Hotel Tivoli Mofarrej a convite de José Santanita, uma das maiores autoridades em vinhos portugueses no Brasil.

 Santanita tem uma extensa carreira na eno-gastronomia e atualmente ministra cursos, realiza eventos e acabou se tornando um dos maiores divulgadores do vinho português através de sua empresa Wine Senses. O  evento ocorreu de forma bastante organizada com espaço suficiente para se degustar e conversar com os produtores sem tumulto.

 

 

Foram ministrados workshops durante o evento com palestras sobre harmonização apresentadas pelo competente sommelier Rodrigo Pimenta do restaurante Varanda Grill e também uma apresentação dos principais vinhos da exposição com um representante de cada vinícola, uma excelente oportunidade para um aprendizado mais profundo com os próprios produtores.

O primeiro vinho apresentado foi o Quinta do Casal Monteiro 2012 um corte das castas Arinto e Fernão Pires. A Arinto no Tejo não possui a acidez marcante comumente encontrada na região de Bucelas, pois o Tejo é mais quente. Nessa região deseja-se produzir notas aromáticas de maçã verde, o que se confirmou nesse exemplar. O vinho apresentou coloração palha clara brilhante com aromas levemente cítricos com a presença da maçã verde evidente. A boca é leve e fresca com muito equilíbrio. Com uma faixa de preço em torno de R$ 30,00 o vinho é uma excelente compra para os dias de calor.

 

Em seguida provamos o Quinta do Casal Branco 2013, um produtor de muita tradição (desde 1775).

O vinho é feito com a casta Fernão Pires e apresentou uma coloração palha clara esverdeada. Apresentou aromas simples e agradáveis com notas levemente citrinas. Em boca é equilibrado e com acidez elevada.

Vale dos Fornos 2010 é um corte de Cabernet Sauvignon, Castelão e Syrah em iguais proporções. Amadurecido em tonéis de 2000 litros de carvalho francês, apresentou uma coloração rubi com halos quase púrpura, aparentando muita juventude. No palato ainda está verde, com estilo rústico e taninos bastante presentes. É um estilo de vinho não tão fácil de agradar, no entanto muitos iniciados apreciam esse caráter, principalmente ao acompanhar produções gastronômicas de igual rusticidade , tais como cozidos de carne típicos do interior de Portugal.

Casal do Conde Terras do Vale 2011 Merlot apresentou um visual rubi bastante intenso.

Seus aromas são predominantemente de frutas vermelhas frescas com notas mentoladas. Boa complexidade aromática.

A boca é fresca, frutada com excelente acidez. Os taninos estão um pouco verdes, talvez as uvas não amadureceram o suficiente. Não é um típico Merlot; para meu gosto pessoal achei um vinho muito bom e certamente bastante gastronômico. Aos não iniciados talvez seja um vinho um pouco exótico, tenho minhas dúvidas quanto ao seu apelo comercial.

 

Quinta da Lapa Reserva 2010 é um corte de Toriga Nacional, Merlot e Aragonês.

De coloração rubi intensa, apesentou aromas de cerejas frescas com notas vegetais típicas da Touriga Nacinoal. Apresentou também aromas de especiarias, demonstrando uma boa complexidade aromática.

No palato é um vinho encorpado, tânico e potente. Bastate persistente, ótima acidez e um agradável final de boca. Excelente vinho, permite guardá-lo por mais de uma década, uma boa expressão do que a região pode apresentar. Seu preço é R$ 157,00

O vinho seguinte foi o Conde de Vimoso 2011, elaborado com 40% de Touriga Nacional e o restante divididos com as castas Aragonês, Syrah e Cabernet Sauvignon. R$ 160,00.

Apresentou um visual rubi profundo com aromas explosivos de frutas tanto vermelhas quanto negras, além de uma clara nota de pimenta. No palato é bastante encorpado com boa acidez, taninos presentes, boa persistência. Excelente vinho, um bom exemplo do que a região pode oferecer de alta qualidade. Vale lembrar que 2011 foi uma safra excepcional na região e também em Portugal como um todo.

Adega do Cartaxo – Bridão Reserva   Tinto 2011

Vinho não disponível no mercado, um corte de Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Tinta Roriz.

Amadurecido por um ano em barricas de carvalho , apresentou coloração rubi com reflexos púrpura. Os aromas demonstram um estilo moderno com predominância de notas frutadas.

Em boca é bastante frutado e apresenta um leve açúcar residual. Vinho de “estilo novo-mundista” , acredito que a aceitação no mercado internacional seja excelente. Muito bom.

 

Casa Cadaval Trincadeira Preta Vinhas Velhas 2010

Ao frequentar exposições como essa, sempre existe a esperança de encontrarmos algo que nos encante, algum vinho que dentre centenas de rótulos nos cative e acabe trazendo aquela deliciosa sensação de prazer tão comum no início de nossa paixão e tão rara ao passar dos anos. Essa foi a sensação que tive ao me deparar com esse Trincadeira proveniente de vinhas de 65 anos de idade e de produção de 6 mil garrafas. Trincadeira Preta é a mesma Trincadeira tão conhecida em Portugal, também chamada de Tinta Amarela no Douro. A escolha do nome foi o fato de que tradicionalmente na região sempre se falou em Trincadeira Preta.

De visual rubi com média profundidade, apresentou aromas delicados e elegantes com notas defumadas, especiarias e cânfora. Sua complexidade sutil é excelente.

No palato tem clara presença de frutas negras maduras, acidez e equilíbrio perfeitos.

Vinho de excelente qualidade e vale cada centavo dos R$ 110,00 que custa.

 

Quinta da Badula Vinho Regional Tejo Reserva 2010

Corte de Touriga Nacional( 40%), Syrah ( 40%) e Alicante Bouschet ( 20%), o vinho amadurece em barricas de carvalho francês ( 60%) e Americano (40%). Elaborado pleo tradicional sistema de pisa a pé em lagares com temperatura controlada a 26ºC através de um sistema de água gelada.

Coloração rubi de média profundidade, apresentou aromas terrosos e notas de couro, bastante agradável.

A boca é frutada e equilibrada com excelente acidez. Vinho de excelente qualidade, ainda sem importador no Brasil.

 

Mythos 2011

Elaborado com as castas Touriga Nacional ( 40%), Cabernet Sauvignon ( 35%) e Touriga Franca( 25%). Produção limitada a 5 mil garrafas, passa por 12 meses em barricas francesas ( 80%) e Americanas (20%).

Vinho elaborado apenas em safras boas, apresentou coloração rubi profunda. Aromas frutados com boa complexidade, estilo bem moderno e internacional . Boca equilibrada e sem arestas, visivelmente feito  para agradar o consumidor moderno. Excelente vinho. R$ 220,00

 

 

 

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