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Um Verão Refrescante

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Por Rodrigo Mammana

 

Após a euforia das comemorações de final de ano começamos 2015 com o tradicional  ( e cada vez mais quente) calor tropical. Por razões culturais a maioria dos brasileiros relaciona o calor do nosso verão com piscina, praia e churrasco, sempre acompanhados de um delicioso vinho branco….. Achou estranho? Pois é, invariavelmente pensamos nesse cenário com uma cerveja gelada ou caipirinhas, muitas vezes esquecendo que existe uma enorme variedade de vinhos brancos leves e frescos perfeitos para momentos como esses.

A predileção pelos vinhos tintos no Brasil é há muito tempo tema para debates, pois muitos produtores tradicionais pelo mundo não compreendem o fato de um país tão quente ter aversão aos brancos ( o nordeste brasileiro é um grande exemplo, consomem vinhos tintos encorpados sob o sol escaldante). Independente dos motivos, esse texto pretende despertar a curiosidade do leitor para que talvez descubra um rico mundo de sabores e aromas vencendo assim alguns preconceitos com uma bebida tão fantástica.

Dentro da categoria de vinhos frescos e aromáticos, existe uma uva bastante versátil que se adaptou muito bem em diversas regiões do mundo, sendo que em cada uma delas apresenta personalidade diferente: A Sauvignon Blanc.

Essa casta francesa provavelmente se originou no Vale do Loire ( onde após o cruzamento espontâneo com a Cabernet Franc acabou originando a famigerada Cabernet Sauvignon), sendo que lá se produz grandes vinhos com a casta, sendo o mais famoso deles o “Sancerre”.

Os vinhos elaborados com Sauvignon Blanc costumam ser muito aromáticos, variando de notas herbáceas, frutas tropicais ( Nova Zelândia), minerais ( Sancerre), mais maduras ( Austrália). Encontra-se ótimos exemplares também em Rueda ( Espanha), Áustria, Piemonte, Alto Ádige, Vale de Casablanca e San Antonio ( Chile) , África do Sul e Califórnia. Em Bordeaux ela é utilizada no corte com Semillon para os vinhos brancos da região. Na Califórnia existe uma interessante história sobre essa uva: O respeitado produtor Robert Mondavi renomeou a Sauvignon Blanc chamando-a de “ Fumet Blanc” devido às fracas vendas de seus vinhos dessa variedade. A manobra de marketing funcionou e tornou-se um sucesso (nessa região costuma-se utilizar o amadurecimento em carvalho, prática não usual com essa uva).

Os vinhos elaborados com a Sauvignon Blanc na maioria das vezes são produzidos sem envelhecimento em madeira, fazendo com que as notas frutadas fiquem bastante evidentes além de passarem uma sensação de leveza. Sua boa acidez reforça todo o frescor mencionado, tornando-se uma boa opção para se beber sem acompanhar comida. Aperitivos, frutos do mar, bolinhos de bacalhau, camarão frito, pastéis, empadas, etc. São inúmeras as possibilidades, e todas elas serão enriquecidas se acompanhadas com esses vinhos, tornando a experiência mais interessante e agradável.

Outra vantagem dessa casta para nós brasileiros é a grande variedade de exemplares chilenos de boa qualidade e preço baixo. Para aqueles que consideram o vinho uma bebida cara para se consumir à vontade da mesma maneira que uma cerveja, se fizer a conta perceberá que os custos podem até se equivaler. Se pegarmos duas latas de cerveja ( 350 ml cada) por R$ 10,00 estaremos consumindo 700 ml da bebida ( o mesmo que uma garrafa de vinho). Como a cerveja pilsen comum possui em média um terço da graduação alcoólica de um vinho ( 4,5% e 13,5% respectivamente), para se consumir a mesma quantidade de álcool das duas latas precisaríamos de um terço do conteúdo de uma garrafa de vinho. Existem vários vinhos Sauvignon Blanc de boa qualidade na faixa de R$ 30,00, portanto se 3 amigos dividirem uma garrafa de vinho dessa categoria iriam desembolsar os mesmos R$ 10,00. Essa simulação serve apenas para demonstrar como a idéia do vinho ser uma bebida de elite não é necessariamente correta. Exemplares da África do Sul com bom preço também são bastante comuns, além disso facilmente encontráveis em supermercados.

Os Sauvignon Blanc da Nova Zelândia são mais caros, porém uma experiência e tanto. Várias vezes os servi para amigos não muito habituados com vinhos e despertou imediata admiração. Eles são muito “ perfumados”, sendo que aromas de abacaxi, maracujá e manga são tão claramente identificáveis que arrancam suspiros da maioria.

Os Sancerre costumam ser mais caros ainda e são vinhos que costumam evoluir com alguns anos de garrafa ( todos vinhos que citei acima são feitos para consumo rápido, portanto fuja de Sauvignon Blancs com mais de 2 anos. Vinhos que desejamos frescor e fruta devem ser consumidos jovens, pois essas características somem muito rápido).

Depois dessa “ viagem “ sobre os estilos de Sauvignon Blanc, aproveitem nosso caloroso verão, deixem a cervejinha de lado ao menos uma vez para experimentar algo novo e certamente apaixonante. Garanto que não vão se arrepender.

Noite Feliz

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Por Rodrigo Mammana

 

A chegada do final do ano transforma paulatinamente nossos humores, como que nos preparando para algum tipo de mudança que sempre acreditamos que ocorrerá no ano vindouro, o que nem sempre acontece. A sensação de algo novo, dever cumprido ou metas para o futuro vem acompanhada da aproximação das festividades que causa na maioria das pessoas algum tipo de ansiedade, seja essa devido aos preparativos de uma viagem, o pagamento de contas, a compra de presentes ou a tão esperada ceia de Natal.

O Natal nem sempre representa a mesma coisa para as pessoas. Ao pensar na data o que me vem à cabeça são os bons momentos que vivi nessa data quando criança, família reunida, fartura à mesa e a espera dos tão desejados presentes. Conforme fui amadurecendo e me tornando adulto os presentes foram perdendo sua prioridade e encanto, tornando-se mais um símbolo do amor de seus entes queridos por você;  trata-se principalmente do reconhecimento do esforço que eles tiveram em se deslocar em uma cidade caótica como São Paulo e procurar algo que eles imaginaram que iria te agradar. A alegria dos meus filhos, ainda crianças, tornou-se o fator de maior importância nessa data, porém surgiu um novo figurante nesse cenário que ocupou o lugar dos presentes em minha expectativa e ansiedade: Os vinhos do Natal.

Para a grande maioria das pessoas esse é um assunto de importância secundária. Não que elas aceitem qualquer vinho na ceia ( elas sabem que devem comprar rótulos mais caros ou “ especiais” ), mas na verdade a decisão dura no máximo 5 minutos na loja de vinhos perguntando ao vendedor qual seria o rótulo mais adequado para harmonizar com o menu em determinada faixa de preço.

Essa é a atitude normal que se espera de alguém que goste de vinhos e do que ele representa, mas não de um enófilo aficcionado como eu. A nossa “ tribo”, que o saudoso Mestre Azeredo chamava de “ E.T. ( Enófilos Tarimbados) “, leva isso muito a sério. Na verdade a maioria das pessoas ficaria impressionada em como levamos isso a sério. Enquanto alguns estão preocupados com a roupa que usarão na grande noite e outros estão pensam na tão esperada viagem, enófillos como eu estão imaginando quais vinhos serão perfeitos para a noite. Não pensem que se trata de escolher os melhores vinhos possíveis, aqueles bem caros com grande fama e prestígio. O raciocínio é bem mais complexo do que imaginam. Primeiramente você abre a adega e dá uma visualizada geral em seus “bebês”. O impulso inicial é olhar aquelas garrafas que você guarda há anos para algum momento especial e se convencer de que esse momento chegou. O Taylor’s 1970, Noval 63, aquele Joly já com 10 anos ou aquele seu Bordeaux 1990 que você sabe que está tinindo, no ponto. Passada a empolgação você respira e se lembra que a maioria dos presentes não faz a mínima idéia do que são esses vinhos e provavelmente depois de uma expressão entusiasmada vão voltar aos seus assuntos e sorver o precioso líquido em uma velocidade digna do Ayrton Senna. Eles não tem culpa alguma, a verdade é que os grandes vinhos precisam ser bebidos inúmeras vezes até começar-se a notar o seu encanto.

É nesse momento que você “ volta à Terra” e começa a usar a razão. Normalmente os amantes da eno- gastronomia valorizam imensamente o bem estar dos convivas e se importam muito com a satisfação e alegria dos mesmos. Quando algum deles expressa sinceramente uma surpresa e grande prazer em algum vinho, o enófilo experimenta internamente uma estranha sensação, mais ou menos como “ eu apresentei o primeiro Vouvray dessa pessoa e ela percebeu como ele é interessante “ .

A maioria das vezes que levei à confraternizações desse tipo vinhos diferentes, elaborados de formas não tão óbvias, com uvas não tão conhecidas e com uma personalidade fora dos padrões internacionais com tudo “ perfeitinho”, percebi que apesar das pessoas elogiarem na verdade elas não gostaram muito. Elas ficam um pouco sem graça, talvez decepcionadas por não terem o tal “ paladar especial” ( que não existe), e ficam um bom tempo com o copo na mão tentando esconder o pensamento: “ bem que eu preferia um Prosecco”.

O vinho é um produto como qualquer outro, e sua apreciação vai se desenvolvendo com o tempo de acordo com interesse da pessoa por esse assunto. Se eu estiver com um grupo de colecionadores de relógios, provavelmente sentirei maior atração por algum modelo que não necessariamente é o mais sofisticado ou especial. Quem conhece a história desses relógios sabe detalhes sobre o mecanismo, material usado, precisão da mecânica, etc, e por isso dá um valor maior a eles e até mesmo gasta um bom dinheiro para adquiri-los e apreciá-los. Para a maioria da trata-se apenas de relógios, alguns com marcas famosas, outros com extrema beleza, mas na verdade os critérios de avaliação são limitados para os não-entusiastas.

Após muitos anos desperdiçando grandes vinhos com pessoas que não os apreciaram de forma adequada fui notando que quem estava errado na verdade era eu mesmo. Se eu sou um apaixonado apreciador de vinhos, minha obrigação em um ambiente com pessoas que gosto muito mas não são aficcionadas como eu é exatamente escolher os rótulos com maior probabilidade de proporionar grande prazer a todos.

Hoje em dia esse assunto está bem mais claro e por isso resolvi compartilhar alguns conceitos que acabei adquirindo ao longo desses anos para agradar o máximo possível meus queridos amigos e familiares que adoram beber um vinho à mesa sem estarem preocupados com sua origem, história ou técnicas de sua elaboração. A seguir vão algumas sugestões pessoais sobre vinhos que dificilmente farão feio em suas festas de fim de ano:

  • Espumantes:

O brasileiro gosta muito de Prosecco. Não há nada de errado nisso, pois são vinhos leves, de preço baixo ( apesar de vários Proseccos vendidos aqui serem de péssima qualidade e vendidos a preços altíssimos). Se você faz questão de consumir Prosecco, prove alguns antes de decidir qual comprar em quantidade, pois existem diversos níveis de residual de açúcar, acidez e álcool. Apesar do preconceito habitual do brasileiro, 90 % das vezes o espumante nacional será de melhor qualidade que os Proseccos disponíveis. Meu conselho é: Se quiser servir vinhos leves e frescos em abundância sem ficar preocupado com aquele convidado que bebe várias garrafas e acaba deixando seu orçamento comprometido, invista em bons espumantes nacionais ( Salton, Valduga, Miolo, Adolfo Lona, Cave Geisse, etc. ) e se quiser algo especial compre um Champagne apenas para brindar ( o que mais encanta os enófilos experientes no Champagne é sua complexidade, corpo, acidez e principalmente as notas de autólise adquiridas após um longo período do vinho em contato com as leveduras mortas. Essas características nem sempre agradam os bebedores menos experientes que costumam preferir frescor e presença de fruta, daí a vantagem dos espumantes nacionais) .  Mais um detalhe: os espumantes secos ( Brut ) não combinam com os doces da sobremesa. Comprem algumas garrafas de espumantes demi-sec para o panetone ou fechem a noite com chave de ouro com um belo Moscato D’Asti, uma verdadeira jóia do Piemonte.

Você pode servir o espumante desde o início até o fim. Vai bem com os aperitivos, entradas, e mesmo que não harmonize com pratos densos e complexos servem para limpar e refrescar o paladar. Certamente haverá convidados que optarão pelo espumante a noite toda ( normalmente os “ cervejeiros” fazem isso).

  • Jerez:

Apesar do brasileiro não ter o costume em consumir essa categoria de vinhos, me sinto na obrigação de falar sobre eles. Os Xerez são os vinhos mais versáteis que existem sendo as únicas opções de harmonização para ingredientes ditos “ inarmonizáveis”. Alcachofras, ovos, saladas com vinagre, aspargos, sopas exóticas? Coloquem um fino ou amontillado na mesa e está tudo resolvido. Metade achará estranho, já a outra metade descobrirá um amor para toda vida. Os Jerez são dos vinhos mais subvalorizados do mundo e você poderá encontrar exemplares de altíssima qualidade a preços totalmente acessíveis. Além do leve e delicioso Tio Pepe, você deve experimentar o Maestro Sierra, Manzanilla La Gita ou Hidalgo. Importante ressaltar que os vinhos Jerez são companhias perfeitas para as frutas secas tradicionais de natal.

  • Vinhos Brancos:

O brasileiro até hoje não superou o preconceito adquirido pela inundação de vinhos brancos de má qualidade que sofreu na década de 1980. Os Liebfraumilch de garrafa azul criaram a noção de que vinhos brancos são para os novatos sem cultura, visão essa completamente equivocada. Vinhos brancos são excelentes e apropriados para nosso clima e culinária condimentada. Nosso natal tropical é sempre quente e a tradição gastronômica combina muito com os vinhos bancos. Culinária baiana, moquecas, bobó de camarão, etc, pedem vinhos brancos com elevada acidez para equilibrar a untuosidade do prato.

Existem grandes vinhos brancos, caros e complexos que arrancam suspiros dos enófilos mas talvez não serão apreciados como se deve ( estou me referindo principalmente aos brancos da Borgonha). Existem apostas certeiras que arrancarão suspiros de todos e também agradará os enófilos mais exigentes: Sauvignon Blanc da Nova Zelândia, Alvarinho do Minho, Chenin Blanc da Africa do Sul, Muscadet de Seivre Maine, Vermentino da Saredgna, Grüner Veltliner da Áustria, e meu favorito: Riesling do Mosel. Lembrem-se disso: Riesling alemão é vinho de gente grande. Impossível qualquer convidado não se deliciar com um bom Riesling da Alemanha ou Alsácia.

  • Vinhos Tintos:

Velho conhecido do brasileiro, muitos bebem apenas esse estilo. Apesar dos vinhos bem feitos do Chile e Argentina serem bastante apreciados por aqui ( além de normalmente apresentarem uma boa relação custo-benefício), sugiro não se esqueçam que o mundo do vinho é muito vasto e é exatamente a diversidade que o torna um produto tão interessante.

Experimentem vinhos de perfil moderno do Alentejo, os tradicionais Rioja ( garanto que um bom Rioja Crianza será sucesso garantido ), um Barbera D’Alba do Piemonte. Se apreciarem vinhos frutados com baixo teor de taninos devem rocurar os Pinot Noir da Nova Zelândia ou até mesmo da sagrada Borgonha. Gostam de vinhos encorpados, alcoólicos e com uma sensação de doçura? Vá de Primitivo de Mandúria, Pinotage da África do Sul, Zinfandel dos EUA. Se gosta dos clássicos não se esqueça dos Bordeaux, Barolo, Hermitage, Amarone ( esses deixam os bolsos mais “ doloridos”). As opções são inúmeras e a curtição é exatamente provar o novo, ter novas experiências, afinal o objetivo é o prazer .

  • Vinhos Doces:

Essa categoria costuma ser incompreendida, muitas vezes considerada de “ nível inferior”. Minha opinião é que isso se deve ao fato de nossos vinhos de garrafão feitos com uvas não-viníferas serem adocicados, o que leva os novatos a acharem que qualquer vinho doce é de má qualidade. Basicamente a coisa funciona assim: Vinhos doces de alta qualidade possuem alta acidez.Se você tem um vinho doce com acidez baixa ele fica enjoativo e desequilibrado. Não adianta somente você querer produzir um vinho doce com alta acidez, são necessárias as uvas corretas, condições climáricas favoráveis, etc.

Como é uma noite especial, comprar uma garrafa de Sauternes, Tokaji, Passito di Pantelleria, Muscat Beaumes de Venice, Ice Wine canadense, vinhos doces alemães ( Auslese para cima), etc, certamente tornará sua noite memorável. São vinhos que acompanharão a sobremesa doce, entretanto também pode ser a própria sobremesa.  Reparem na persistência, delicadeza, sensação agradável que deixa no final de boca. Se a ideia for um panetone experimente um Moscato D’Asti e não se arrependerá.

Para finalizar a noite com chave de ouro minha recomendação é um Porto Vintage ( ou LBV caso não queira gastar mais de R$ 300,00 em uma garrafa) ou um Madeira de qualidade ( sim, existem vinhos da Madeira magníficos, bem diferentes daqueles que você usa na cozinha). Procure um da uva Boal, Malmsey ou a rara Terrantez. Henriques & Henriques e Blandy’s são boas pedidas.

Seja qual for sua preferência, o mais importante é não esquecer a razão dos vinhos estarem lá. Eles nada mais são que instrumentos para agregar, relaxar, descontrair, tornando a noite ainda mais feliz. O vinho proporciona a potencialização do prazer das sensações gastronômicas, traz alegria e auxilia na reflexão sobre o ano que passou, suas conquistas, lutas e desafios. Ao final da noite, quando todos estiverem dormindo, pegue um cálice de seu Porto Fonseca Tawny 40 anos, sente-se na varanda e reflita sobre o sucesso em ter conseguido por mais um ano cultivar a unidade familiar e reforçado o imenso valor da confraternização em torno da boa mesa com as pessoas que ama.

Espere um pouco: Que vinhos servirei na noite de ano novo?  Enófilos não têm jeito mesmo…..

Panorama dos Espumantes do Hemisfério Sul

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Por Rodrigo Mammana

 

A Ibravin e a Vinhos do Brasil promoveu um evento focado nos espumantes do Hemisfério Sul no dia 25 de abril. Para o evento foram convidados alguns dos principais jornalistas da área para compor o juri, além de nomes de peso do cenário internacional tais como Patricio Tapia, Dirceu Vianna MW e Steven Spurrier, um dos mais conceituados jornalistas de vinhos do mundo. Foram também convidados formadores de opinião para degustarem os vinhos do painel.

A degustação ocorreu em um formato não convencional, gerando diversas críticas quanto à metodologia empregada que para muitos foi bastante confusa. Os vinhos foram divididos em duas baterias, a primeira somente de vinhos elaborados pelo método de tanque ( Charmat) e a outra sob o método tradicional. Apesar de não sabermos os rótulos, nos passavam o país de procedência de cada vinho, não se tratando assim de uma degustação totalmente às cegas. O número de amostras de cada país também não era igual, o que dificultava ainda mais chegar a qualquer conclusão. Não se sabia o preço dos vinhos nem o critério que deveríamos avaliar. Também nos foi informado que o intuito não era uma competição e então não haveria um campeão.

Painel Charmat:

Os primeiros três vinhos foram argentinos: Norton Extra Brut, um vinho levemente cítrico bastante discreto e simples; Trivento Brut, mais complexo e com notas de frutas brancas e boa acidez; Lagarde Altas Cumbres Brut, com aromas delicados, pouca fruta e bom frescor.

De maneira geral os vinhos argentinos foram apontados como os mais desequilibrados e sem expressão, recebendo poucos elogios. Os juízes acharam que faltou frescor nos exemplares desse país.

Dos três Charmat brasileiros, o primeiro foi o Chandon Brut com aromas pronunciados de frutas cítricas, acidez elevada com bom equilíbrio e persistência. Em seguida veio o Giacomin Brut, com aromas de cúrcuma e notas florais ( segundo Dirceu Vianna são flores de acácia). Vinho seco de acidez média e um pouco curto. O último brasileiro foi o Cordelier Brut, da Vinícola Fanti. Com aromas de cravo, especiarias doces e leves notas citrinas, possui uma boca mais complexa, frutada e com boa mousse. Muito bom.

O primeiro chileno foi o Santa Carolina Brut, um vinho com claras notas aromáticas de frutas tropicais (maracujá) e pêssego. Boa intensidade. Em boca é bastante encorpado e frutado, com acidez média e boa mousse. Deu a impressão das uvas terem amadurecido além da conta, fazendo com que apesar da boa complexidade ficasse um pouco desequilibrado. A maioria dos juízes não gostou do vinho. O segundo exemplar do Chile foi o Concha y Toro Brut. Vinho de perlage muito intensa, aromas delicados com notas de pinho e resina. Apesar de deixar a desejar no nariz, o vinho em boca se apresentou muito complexo, longo e fresco. Ótima acidez, bastante equilibrado. O último chileno foi o Santa Helena Premium Brut. Aromas de borracha branca sem complexidade. No palato é longo, intenso e bastante frutado. Spurrier achou que o vinho não tinha charme.

O único exemplar da Nova Zelândia foi o Sileni Estates Brut. De coloração dourada intensa apresentou aromas bastante complexos de laranjas passas com leves notas oxidativas ( agradáveis para alguns, condenadas por outros). Boca complexa com notas de laranjas, mel e amêndoas, bastante longo. O vinho foi muito polêmico, tendo o Dirceu como um dos que gostaram muito, dizendo que houve uma evolução oxidativa positiva, porém não intencional. Os juízes acharam que o vinho ficou muito tempo em garrafa, daí essas notas, entretanto não era esse o objetivo do produtor. Spurrier disse que um consumidor normal acharia que o vinho passou do ponto.

O único exemplar da África do Sul foi o Nederburg Cuvée Brut, um vinho bastante correto com presença de aromas de autólise e boca bastante equilibrada. Bom vinho.

Os preferidos do Dirceu foram o Silene, o Santa Helena e o Norton. Já Steven Spurrier teve como preferidos o Cordelier, Giacomin e o Norton. A minha preferência foi pelo o da Nova Zelândia, o Santa Helena e o Chandon .

Painel Método Tradicional:

O primeiro argentino foi o Luigi Bosca Brut Nature, um vinho com leves notas de leveduras, com boca elegante e complexa e boa persistência. Achei o vinho excelente, já o Spurrier disse que faltou sofisticação. O segundo foi o Kaiken Sparkling Brut, um vinho de visual palha claro esverdeado, aromas de frutas brancas, boa acidez e ótima mousse. Vinho muito bem feito e equilibrado, e segundo Spurrier se trata de um bom vinho para acompanhar comida. O último argentino foi o Trapiche Brut, vinho com média complexidade boa fruta em boca e notas amanteigadas. Muito bom. Steven Spurrier achou o vinho “ duro”.

O único exemplar australiano foi o Angas Brut. Visual palha claro, aromas delicados de pêssego e abacaxi, levedura quase que imperceptível. Boca complexa com acidez bastante elevada, muito bom.

O primeiro brasileiro foi o Miolo Milesime, com aromas não muito complexos e leve nota animal. Na boca é equilibrado, acidez média com leve residual de açúcar. Spurrier o classificou como “ aperitive wine”e gostou muito do vinho. O brasileiro seguinte foi o Valduga 130. Com um visual amarelo palha brilhante, aromas bastante elegantes com notas de peras e levedura bastante presente. Em boca é refinado, elegante, longo e fresco. Excelente. Spurrier achou o vinho “ elegant, citrous and charming”. Dirceu Viana considerou os brasileiros bastante consistentes sem serem “ forçados”. O terceiro brasileiro foi o Cave Geisse Blanc de Blancs. Palha claro com perlage muito intensa, apresentou aromas simples com notas cítricas e pouca levedura. Boca de média complexidade, boa persistência e um final de boca um pouco incômodo.

O único exemplar do Chile foi o Tarapaca Traditional Brut. Perlage intensa, aromas pronunciados de maracujá e  “ fumaça”, tostados. A boca é potente com muita fruta. Trata-se de um estilo mais condizente com os charmat onde se preza a fruta e não se busca a complexidade derivada do contato com as leveduras. Vinho bom, entretanto unidimensional.

O exemplar da Nova Zelândia foi o Hunters Brut, um vinho palha claro com perlage finíssima. Aromas com presença de leveduras, brioche. Delicado e elegante, excelente acidez, longo, fresco e complexo. Final de boca muito agradável, ótimo vinho.

O último vinho era o único exemplar da África do Sul, o Krone 2007. Dourado intenso, perlage fina, apresentou aromas bastante complexos com claras notas oxidativas. Aparentemente ficou muito tempo em garrafa. Boca equilibrada e complexa, excelente final de boca e acidez na medida. Achei o vinho muito bom, porém a maioria se incomodou com as notas oxidativas e o condenaram.

Os preferidos de Spurrier foram o Neo Zelandês, o Valduga e o Cave Geisse. Os meus preferidos foram o Sul Africano, o Valduga e o Neo Zelandês.

 

Em sua palestra, Steven Spurrier falou um pouco sobre os espumantes de cada país do Hemisfério Sul e seus mercados. Em sua opinião o espumante brasileiro deve tentar conquistar mercado Europeu através de Wine Bars, servindo em copos de maneira descompromissada, sem a intenção de tratá-lo com algo muito sério como um Champagne. Nesses locais as pessoas estão abertas a provar novos e diferentes produtos. Ele também acha importante que o Brasil consolide uma marca para seus espumantes, de uma maneira que as pessoas conheçam bem a “ cara” do espumante brasileiro sabendo exatamente o que haverá dentro da garrafa. Dirceu Viana concorda que é necessário formar uma marca, definir bem um estilo para o “ Brazilian Sparkling Wine”, de uma forma que o consumidor o identifique assim como o faz com os Cavas e Proseccos, por exemplo.

Polêmicas e insatisfações à parte, ao meu ver o evento foi bom para o Brasil pelo fato de nomes fortes como o de Spurrier e Dirceu Viana terem gostado de nossos produtos Provavelmente Steven Spurrier fará alguma referência sobre nossos vinhos na importante revista Decanter, o que poderá melhorar nossa imagem. Como muitos falaram eu preferia que a prova tivesse sido totalmente às cegas e com critérios de seleção de rótulos bem definidos.

Percebo que hoje em dia ninguém ( ou quase ninguém) mais fica insistindo na bobagem de comparar os nossos espumantes com os champagnes e estão percebendo que temos um estilo próprio. Em minha opinião o espumante brasileiro deve ser festivo, fresco e alegre, assim como a imagem que o mundo tem de nosso país.

 

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Evento Mistral em Homenagem a Aurélio Montes

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No dia 25 de março o Hotel Tivoli Mofarrej foi palco de um impecável evento em homenagem ao grande produtor chileno Aurélio Montes que há 25 anos produz vinhos de qualidade inquestionável. Os convidados tiveram o raro privilégio de degustar um painel vertical do famigerado vinho Montes Alpha Cabernet Sauvignon, das safras 1990, 1993, 1997, 2001 e 2010.

Como é habitual em eventos da Mistral, tudo procedeu de forma impecável nos mínimos detalhes. Após a degustação nos foi servido um jantar acompanhado pelos vinhos Montes Alpha Chardonnay 2011 e o ícone da vinícola, Montes Alpha M 2009, ambos de excelente qualidade.

A vinícola Montes, situada na região de Apalta, Colchágua , foi construída sob os preceitos do Feng Shui, sendo que as barricas descansam em um “ anfiteatro” onde 24 horas por dia se toca música clássica. O Montes Alpha Cabernet Sauvignon é um dos melhores Cabernets do Chile e demonstrou excelente condição para guarda. Os vinhos das safras 1990, 1993 e 1997 eram produzidos no Vale do Curicó, e a partir de 1998 começaram a ser produzidos em Colchágua.

 O vinho da safra 2010 estava muito jovem apresentando uma coloração rubi de média profundidade. Os aromas apresentaram pimenta do reino e menta com presença de cerejas e amoras sem excesso de maturação. No palato é tânico, jovem e com notas herbáceas. Com boa acidez e bastante seco, ainda está verde passando a impressão das uvas não terem amadurecido por completo. Certamente evoluirá com mais alguns anos de garrafa.

O Montes Alpha 2001 possui uma coloração granada de média profundidade. Com boa complexidade e intensidade aromática apresentou agradáveis notas de evolução com couro, camurça e sous bois. A fruta ainda estava presente, excelente qualidade aromática. Em boca apresentou corpo médio, ótima acidez e taninos bastante finos. Persistente e frutado com excelente final de boca. Grande vinho, no momento ideal para ser degustado.

O Montes Alpha 1997 possui coloração granada bastante evoluída, pouca profundidade e leve turbidez. Nariz elegante com discretas notas de couro, terra e cogumelos. Sutil. Em boca possui corpo médio boa acidez e complexidade média-baixa. Com taninos ainda presentes apresentou boa persistência. Um vinho de estilo clássico que não evoluirá mais em garrafa. Bom.

O Montes Alpha 1993 apresentou um visual granada evoluído de baixa profundidade com aromas muito complexos e mais pronunciados que o 1997. Bastante elegante, em boca tem médio corpo com excelente acidez, bastante longo e muito gastronômico. Vinho de excelente qualidade com um estilo que remete ao velho mundo.

Finalmente o Montes Alpha 1990 apresentou uma coloração granada quase pálida com depósitos no fundo do copo, aromas muito delicados e extremamente elegantes com presença de especiarias e camurça. Palato bastante evoluído excelente acidez e muito longo. Excelente.  

Após a vertical fomos surpreendidos com um vinho muito especial que acabou de ser lançado pela Vina Montes: O Taita 2007

Com apenas 120 garrafas disponíveis no Brasil, a produção desse vinho é limitada a 6 mil garrafas. O significado da palavra “ Taita” no Chile seria mais ou menos como o pai experiente que passa aos jovens seu conhecimento. Produto de uma Joint Venture com o brilhante Pedro Parra, as uvas utilizadas são provenientes de um vinhedo em Marchigüe, Colchagua, há 25 Km do mar. Um Terroir bastante específico com material aluvial com granito e argila decompostos tornam o solo bastante único. O vinho é composto por 85% de Cabernet Sauvignon e os outros 15% sendo a “ escolha do enólogo”. Amadurece por 2 anos em barricas francesas de média tosta e mais 3 anos em garrafa. Seu preço é de aproximadamente US$ 470,00.

De coloração rubi profunda, apresentou aromas de impressionante potência muito frutados, com notas de framboesas e leve verniz. Em boca é muito encorpado, bastante frutado com taninos finos, leve sensação de doçura, acidez equilibrada e bastante alcoólico. Vinho superlativo que certamente impressionará os entusiastas de vinhos intensos e potentes. Sem dúvida um dos maiores vinhos desse estilo do Chile.

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Degustação dos Vinhos do Tejo

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Por Rodrigo Mammana

A SBAV-SP teve o prazer de conferir mais uma edição do evento “ Vinhos do Tejo”, ocorrido 13 de março no Hotel Tivoli Mofarrej a convite de José Santanita, uma das maiores autoridades em vinhos portugueses no Brasil.

 Santanita tem uma extensa carreira na eno-gastronomia e atualmente ministra cursos, realiza eventos e acabou se tornando um dos maiores divulgadores do vinho português através de sua empresa Wine Senses. O  evento ocorreu de forma bastante organizada com espaço suficiente para se degustar e conversar com os produtores sem tumulto.

 

 

Foram ministrados workshops durante o evento com palestras sobre harmonização apresentadas pelo competente sommelier Rodrigo Pimenta do restaurante Varanda Grill e também uma apresentação dos principais vinhos da exposição com um representante de cada vinícola, uma excelente oportunidade para um aprendizado mais profundo com os próprios produtores.

O primeiro vinho apresentado foi o Quinta do Casal Monteiro 2012 um corte das castas Arinto e Fernão Pires. A Arinto no Tejo não possui a acidez marcante comumente encontrada na região de Bucelas, pois o Tejo é mais quente. Nessa região deseja-se produzir notas aromáticas de maçã verde, o que se confirmou nesse exemplar. O vinho apresentou coloração palha clara brilhante com aromas levemente cítricos com a presença da maçã verde evidente. A boca é leve e fresca com muito equilíbrio. Com uma faixa de preço em torno de R$ 30,00 o vinho é uma excelente compra para os dias de calor.

 

Em seguida provamos o Quinta do Casal Branco 2013, um produtor de muita tradição (desde 1775).

O vinho é feito com a casta Fernão Pires e apresentou uma coloração palha clara esverdeada. Apresentou aromas simples e agradáveis com notas levemente citrinas. Em boca é equilibrado e com acidez elevada.

Vale dos Fornos 2010 é um corte de Cabernet Sauvignon, Castelão e Syrah em iguais proporções. Amadurecido em tonéis de 2000 litros de carvalho francês, apresentou uma coloração rubi com halos quase púrpura, aparentando muita juventude. No palato ainda está verde, com estilo rústico e taninos bastante presentes. É um estilo de vinho não tão fácil de agradar, no entanto muitos iniciados apreciam esse caráter, principalmente ao acompanhar produções gastronômicas de igual rusticidade , tais como cozidos de carne típicos do interior de Portugal.

Casal do Conde Terras do Vale 2011 Merlot apresentou um visual rubi bastante intenso.

Seus aromas são predominantemente de frutas vermelhas frescas com notas mentoladas. Boa complexidade aromática.

A boca é fresca, frutada com excelente acidez. Os taninos estão um pouco verdes, talvez as uvas não amadureceram o suficiente. Não é um típico Merlot; para meu gosto pessoal achei um vinho muito bom e certamente bastante gastronômico. Aos não iniciados talvez seja um vinho um pouco exótico, tenho minhas dúvidas quanto ao seu apelo comercial.

 

Quinta da Lapa Reserva 2010 é um corte de Toriga Nacional, Merlot e Aragonês.

De coloração rubi intensa, apesentou aromas de cerejas frescas com notas vegetais típicas da Touriga Nacinoal. Apresentou também aromas de especiarias, demonstrando uma boa complexidade aromática.

No palato é um vinho encorpado, tânico e potente. Bastate persistente, ótima acidez e um agradável final de boca. Excelente vinho, permite guardá-lo por mais de uma década, uma boa expressão do que a região pode apresentar. Seu preço é R$ 157,00

O vinho seguinte foi o Conde de Vimoso 2011, elaborado com 40% de Touriga Nacional e o restante divididos com as castas Aragonês, Syrah e Cabernet Sauvignon. R$ 160,00.

Apresentou um visual rubi profundo com aromas explosivos de frutas tanto vermelhas quanto negras, além de uma clara nota de pimenta. No palato é bastante encorpado com boa acidez, taninos presentes, boa persistência. Excelente vinho, um bom exemplo do que a região pode oferecer de alta qualidade. Vale lembrar que 2011 foi uma safra excepcional na região e também em Portugal como um todo.

Adega do Cartaxo – Bridão Reserva   Tinto 2011

Vinho não disponível no mercado, um corte de Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Tinta Roriz.

Amadurecido por um ano em barricas de carvalho , apresentou coloração rubi com reflexos púrpura. Os aromas demonstram um estilo moderno com predominância de notas frutadas.

Em boca é bastante frutado e apresenta um leve açúcar residual. Vinho de “estilo novo-mundista” , acredito que a aceitação no mercado internacional seja excelente. Muito bom.

 

Casa Cadaval Trincadeira Preta Vinhas Velhas 2010

Ao frequentar exposições como essa, sempre existe a esperança de encontrarmos algo que nos encante, algum vinho que dentre centenas de rótulos nos cative e acabe trazendo aquela deliciosa sensação de prazer tão comum no início de nossa paixão e tão rara ao passar dos anos. Essa foi a sensação que tive ao me deparar com esse Trincadeira proveniente de vinhas de 65 anos de idade e de produção de 6 mil garrafas. Trincadeira Preta é a mesma Trincadeira tão conhecida em Portugal, também chamada de Tinta Amarela no Douro. A escolha do nome foi o fato de que tradicionalmente na região sempre se falou em Trincadeira Preta.

De visual rubi com média profundidade, apresentou aromas delicados e elegantes com notas defumadas, especiarias e cânfora. Sua complexidade sutil é excelente.

No palato tem clara presença de frutas negras maduras, acidez e equilíbrio perfeitos.

Vinho de excelente qualidade e vale cada centavo dos R$ 110,00 que custa.

 

Quinta da Badula Vinho Regional Tejo Reserva 2010

Corte de Touriga Nacional( 40%), Syrah ( 40%) e Alicante Bouschet ( 20%), o vinho amadurece em barricas de carvalho francês ( 60%) e Americano (40%). Elaborado pleo tradicional sistema de pisa a pé em lagares com temperatura controlada a 26ºC através de um sistema de água gelada.

Coloração rubi de média profundidade, apresentou aromas terrosos e notas de couro, bastante agradável.

A boca é frutada e equilibrada com excelente acidez. Vinho de excelente qualidade, ainda sem importador no Brasil.

 

Mythos 2011

Elaborado com as castas Touriga Nacional ( 40%), Cabernet Sauvignon ( 35%) e Touriga Franca( 25%). Produção limitada a 5 mil garrafas, passa por 12 meses em barricas francesas ( 80%) e Americanas (20%).

Vinho elaborado apenas em safras boas, apresentou coloração rubi profunda. Aromas frutados com boa complexidade, estilo bem moderno e internacional . Boca equilibrada e sem arestas, visivelmente feito  para agradar o consumidor moderno. Excelente vinho. R$ 220,00

 

 

 

Esporão Lança seu Primeiro Porto Vintage

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Coincidindo com o quadragésimo aniversário da Vinícola Alentejana, o primeiro Vintage da empresa ( Quinta dos Murças 2011) foi produzido em uma das mais aclamadas safras dos últimos anos.

Adquirida em 2008, Quinta dos Murças situa-se na parte norte do Douro próximo à Régua. Com vinhos que estagiam em madeira entre 15 e 65 anos, a Quinta dos Murças cultiva as castas tradicionais da região e também um pouco de Cabernet Sauvignon e Sauvignon Blanc. A vinícola também produz vinhos não fortificados como o Assobio Douro DOC e recentes lançamentos de um vinho branco e um rosé.

Apreciando a Vida

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Por Rodrigo Mammana

 

Certas vezes me pergunto como vim parar aqui.

Ao fazer um retrospecto de minha vida, não consigo encontrar o momento, o divisor de águas que despertou meu interesse em começar a prestar atenção no alimento que consumo ( seja ele líquido ou sólido).

Vivi a infância e adolescência em uma época que não se ouvia falar muito em alimentação saudável, ecologia, riscos do consumo de substâncias nocivas. As únicas opções de lanches e almoço na minha escola, um colégio frequentado pela elite paulistana, eram sanduiches feitos na chapa com hamburgueres industrializados, bacon, queijo amarelo de péssima qualidade, sempre acompanhados de uma fanta ou coca cola. Nunca  ouvi qualquer comentário de algum pai ou reclamações sobre a qualidade da comida. A comida boa da época eram frituras e mais frituras, tudo à milanesa, batatas fritas, etc. Algo grelhado com apenas um pouco de azeite acompanhado de legmes salteados seria visto como algo sem sabor, “ sem graça”. Quem não se lembra das viagens de avião com um sujeito ao seu lado fumando e jogando as cinzas naquele cinzeirinho do braço do assento. Se você fizesse alguma careta ou abanasse com a mão sinalizando o incômodo quem ficava “ bravo” era o fumante! “Onde já se viu relamar de meu cigarro, que frescura!” . Pois bem, vivendo minha adolescência nos anos 80, a unica maneira de ter desenvolvido algum interesse por produções gastronômicas mais sofisticadas seria se tivesse recebido algum estímulo ou orientação sobre isso, porém minha família nunca teve muita inclinação para essa área. Meu pai fez com que em mim se despertasse a paixão pela leitura ( quase não tenho lembranças dele sem um livro na mão), a apreciar o jazz clássico, o cinema. Para a gastronomia e enofilia tive que fazer por conta própria.

Uma vez assisti uma entrevista  com o grande trompetista Wynton Marsallis onde ele dizia que “ a coisa boa não vem até você, é você quem tem que ir a ela”. Eu notei isso há bastante tempo, e por isso tentei regrar minha vida buscando alta qualidade em todas áreas. Ao alugar um filme procurava em meu guia os considerados “5 estrelas”. Em minha cabeça só faria sentido assistir os “ 4 estrelas “ quando já tivesse visto os de 5. Com essa ideia aparentemente limitada , acabei conhecendo os grandes clássicos do cinema, obras primas que em princípio não entendemos mas com o tempo vão te cativando até você claramente perceber quando uma obra é de qualidade inferior. O mesmo raciocínio pode ser aplicado nas mais diversas áreas, e depois de um certo tempo estudando o assunto você já se sente capaz de fazer a própria avaliação e não se guiar mais pelas tais “ estrelas”. Você começa a perceber que concorda mais com as opiniões de determinado crítico e menos com as de outro. Começa a descobrir que existem inúmeras pessoas com conhecimento limitado e se fazem passar por “ experts” através de postura arrogante e intimidadora. Como dizia Thomas Fuller, “ não é a barba que faz o filósofo”.

Uma noção que tive na adolescência foi que a potencialização do prazer era a única coisa que realmente importava. O raciocínio era simples: Se eu, por ignorar o que é uma produção gastronômica de alta qualidade tenho um prazer imenso em comer um Big Mac, provavelmente o prazer que tenho em devorá-lo é similar ao prazer que um conhecedor com paladar refinado só consegue com produções caras, raras e sofisticadas. A conclusão disso é que a ignorância é uma benção, pois pode me proporcionar um alto grau de satisfação com algo facilmente “ alcançável”. Isso pode ser usado com qualquer assunto: o prazer em assistir uma telenovela, de ouvir uma música de bailes funk, de fazer churrasco de espetinhos enquanto se bebe uma cerveja insípida. Estas pessoas estão se deliciando com tudo isso, portanto conhecer Mozart, um bife de chorizo ou uma cerveja belga trapista se torna algo totalmente inútil. Basta que a pessoa nunca conheça para que sua felicidade seja plena sem precisar de muito dinheiro nem tempo de estudo. Apesar dessa lógica ter lá seus adeptos, hoje em dia penso um pouco diferente. Lembro-me de uma passagem na obra “ O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse, onde ele dizia que o homem não foi feito para nadar. Seu corpo foi desenvolvido para vivier em terra, tanto que nosso instinto é de ficar longe de grandes volumes de água. Entretanto o homem pode aprender a nadar, e quando isso ocorre ele continua querendo nadar cada vez mais, até se sentir plenamente seguro e um dia talvez acabar morrendo afogado. No livro citava-se esse exemplo como analogia ao pensamento: dizia que não somos feitos para pensar, mas quando somos “ fisgados” pelo interesse em fazê-lo começamos uma jornada que não tem mais retorno, e que inclusive pode nos levar ao fim. Confesso que me sinto um pouco dessa maneira , pois ao começar minha jornada na gastronomia e nos vinhos, acabei seduzido por esse mundo de tal maneira que tenho plena consciência que não adianta mais nadar contra a correnteza, pois isso faz parte de mim e de certa forma chega a definir em parte o ser humano que me tornei.

Quando iniciei meus estudos sobre vinhos não tinha a mínima noção da imensidão e abrangência do tema. Imaginava que conheceria os estilos de vinho, algumas regiões e saberia escolher o produto adequado para cada ocasião. Logo no início fui percebendo que o líquido que está em seu copo é apenas uma parte ínfima de tudo aquilo que  representa. Junto com ele vem uma história com mais de 8 mil anos. Para conhecer realmente aquele vinho que está bebendo, você deve conhecer a geografia da região que foi produzido, os costumes do povo que a habitam , o motivo da escolha da variedade de uva e técnicas de vinificação. Depois disso você observa mais atentamente o que as pessoas que lá vivem costumam comer, quais são seus pratos típicos e qual o motivo de ao longo de muito tempo eles terem adquirido a predileção por um estilo específico de vinho e uma culinária regional também específica. Será por acaso que o Cassoulet de Tolouse harmoniza tão bem com vinhos da mesma região ou próximos, tal como um Fitou ? A partir do momento que você entende essa abrangência maior, começa a se interessar por tudo que está em torno do vinho.

Para se adquirir um bom conhecimento sobre vinhos é indispensável que se tenha também profundos conhecimentos de geografia, história, agricultura, etc. Mas não pára por aí. Quando você já está imerso nesse mundo, começa a perceber que as pessoas que possuem o mesmo interesse também são muito interessantes. A quantidade de pessoas extremamente cultas que conheci durante minha jornada foi enorme, pessoas que não falam apenas sobre vinho. São pessoas viajadas, apreciadoras das artes, nos levando frequentemente a diálogos saudáveis e inspiradores, sempre nos trazendo a sensação de termos saído daquele encontro maiores do que quando entramos. Normalmente são pessoas despretensiosas e com um perifl completamente oposto à imagem de arrogância que muitos possuem dos enófilos. O vinho nos estimula a viajar para regiões que nunca antes pensaríamos em ir , e quando conhecemos cada uma delas acabamos tendo contato direto com seu povo, o agricultor humilde no interior da Borgonha, um proprietário de um pequeno restaurante na Sicília e mais centenas de exemplos. Esses produtores de vinhos tem um enorme prazer em receber quem entende sua arte, fazem questão de partilhar sem nunca serem sovinas.

Aliás essa é outra característica que observo frequentemente no vinho: as pessoas não hesitam em partilhar um vinho especial que possuem, demonstrando claramente que é um prazer sincero poder dividir a experiência com outros que compatilham a mesma paixão. Não estou falando de pessoas ricas que não faz diferença o preço, e sim pessoas que tem um carinho especial por determinada garrafa, acaba contando a história do momento em que a adquiriu e depois abre o vinho com grande prazer. Foram inúmera situações dessas , e tenho certeza que ainda haverá incontáveis momentos como esse ainda esão por vir.       

Apesar de citar diversos motivos que me incentivaram a continuar a estudar cada vez mais a fundo a área dos vinhos, existe um em especial que considero o mais importante de todos: A capacidade que ele tem de reunir pessoas queridas e proporcionar momentos inesquecíveis. É atávica a reuião em torno do fogo onde sem pressa alguma podemos interagir, relaxar, conversar e sentir o pulsar da vida em sua forma mais pura. Um simples risoto que preparo em casa para minha esposa e filhos  ( pequenos) ao redor da mesa e uma garrafa de vinho aberta transforma o momento em algo especial . Ao escrever essas palavras posso sentir o ambiente como se realmente estivesse lá, sendo apenas paz e felicidade que me vem à memória. Posso me transportar então para a noite de ano novo quando preparei a ceia, cuidei para que os vinhos estivessem nas temperaturas perfeitas e passei deliciosos momentos com os amigos.

Talvez meu sangue siciliano fale muito alto, porém meu ideal de felicidade está na reunião da família ou amigos queridos em torno da boa mesa, partilhando o que nos traz conforto e prazer: momentos que vamos colecionando e gravando em nossa biblioteca interna de memórias que carregaremos por toda a vida. Mesmo quando eu não fizer mais parte desse mundo, tenho certeza que as sementes que plantei serão levadas adiante, e que as pessoas que conviveram comigo saberão o valor que sempre dei a esses simples momentos.      

Será que todo esse prazer e sentimento de emoção que acabo de descrever seria possível se eu não tivesse iniciado minha viagem pelo conhecimento? Se eu possuísse aquele prazer ignorante mencionado, com um Big Mac , coca-cola e a  TV ligada na novela, sentiria a mesma intensidade de prazer? Acredito que não. Para que o prazer seja realmente sublime é necessária a contemplação. Para realmente contemplar precisamos de muito esforço para adquirir conhecimento suficiente e finalmente compreender o que é belo.  A beleza está a nossa volta sob todas as formas, mas saber reconhecê-la e apreciá-la é tarefa para poucos.  

Degustação às Cegas – Vinhos Notáveis do Mundo

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A confraria “ Amigos do Giba” se reuniu para a degustação de vinhos com um tema bastante abrangente e interessante: Vinhos Notáveis do Mundo. Com total liberdade para escolher o rótulo, a expectativa era grande do que iríamos encontrar pela frente.

O local escolhido pelo confrade Maurício foi o restaurante Cantaloup, no Itaim. Eu frequentava a casa há mais de uma década , porém confesso que com a constante inauguração de novos e atraentes restaurantes na capital às vezes nos esquecemos de locais agradáveis que sempre nos trataram bem. O Cantaloup continua bonito e muito agradável; O serviço e a comida estavam excelentes, acompanhando perfeitamente os grandes vinhos que degustamos.

Antes do embate brindamos com um Champagne Pommery NV. Vinho de excelente frescor e equilíbrio, notas de leveduras agradáveis e ótima complexidade.

Devo lembrar que nessa confraria sempre existe um “pirata”. Dessa vez o encarregado de leva-lo foi o Giba. Ele ficou em último lugar.

A seguir descrevo minhas impressões sobre os vinhos degustados, do último colocado na classificação geral ao primeiro.

 

9º Lugar ( pirata ) : Don Laurindo Tannat/Ancelotta 2005

Coloração granada de média profundidade.

Aromas com notas animais muito intensas, terra molhada, muita rusticidade. Muitos se incomodaram com esse excesso de animal, achando desagradável.

Em boca é encorpado, longo e muito rústico. Não é um vinho fácil, mas no meu gosto pessoal se trata de um bom vinho. Logicamente perante os outros a discrepância foi enorme.

 

8º Lugar: Sassicaia 2006

Foi o meu primeiro colocado, porém a maioria não compartilhou de minha opinião.

Coloração rubi profunda tendendo ao granada.

Aromas complexos de excelente qualidade. Notas terrosas, cânfora e chocolate.

Encorpado, taninos perfeitamente integrados. No palato sente-se a excelente complexidade e ótima acidez. Persistência muito longa.

Vinho extraordinário, grande classe.   

 

7º Lugar: Valbuena1988

Foi meu segundo vinho.

Coloração granada de média intensidade.

Aromas muito evoluídos e sem exuberância. Notas complexas de couro e terra molhada.

No palato percebe-se que é um vinho muito evoluído, porém conservou ainda uma boa acidez e os taninos finos e delicados. Já não apresenta uma grande persistência, porém a classe e qualidade são inquestionáveis. Para quem aprecia vinhos clássicos bastante evoluídos. Excelente.

 

6º Lugar: Catena Zapata Estiba Reservada 2002

 

Foi meu último colocado.

Coloração granada de média profundidade.

Aromas de boa intensidade, notas de carne e animais. Sensação” cozida”.

Em boca é encorpado, longo, taninos finos e ainda conserva um pouco de fruta. Muito bom.

 

5º Lugar:  Don Melchor 2002

Granada de boa profundidade       

Complexo e elegante, notas canforadas com menta. Leve pimentão. Típico novo Mundo.

Em boca é encorpado excelente acidez. Leve picância, especiarias e notas de cassis. Muito longo e excelentes taninos. Excelente.

 

4º Lugar: Araujo 1996

Granada com notas de evolução.

Aromas de frutas negras intensas, cerejas, chocolate e tabaco. Muito complexo.

Boca encorpada e muito complexa. Bastante equilíbrio, acidez excelente.

 

3º Lugar: Barbaresco Gaja 1997

Granada de profundidade média

Aromas delicados e elegantes. Notas de cerejas ainda presentes, bosque e terrosos. Nada óbvio, tudo muito sutil e elegante.

Em boca os taninos são finíssimos, ainda possui uma fruta . Bom corpo, acidez fantástica e  persistência muito longa. Grande vinho de muita classe.

 

2º Lugar:  Dominus 1996

Granada de profundidade média para alta.

Aromas intensos de torrefação, café e amoras maduras. Intenso e complexo.

No palato é encorpado, excelente acidez, taninos perfeitamente integrados, muito persistente.

Grande vinho.

 

1º Lugar: Joseph Phelps Insignia 2008

Rubi muito profundo.

Exuberância e potência aromática impressionantes. Geléia de frutas negras e vermelhas em grande intensidade .

Boca potente e encorpada. Sensação explosiva de frutas se confirma, superlativo. Fruit bomb. Bastante longo e equilibrado.

 

 

Depois do jantar finalizamos a noite com um Sauternes Chateau Rieussec Grand Cru 2002. Uma grande demonstração do motivo da região ter tanta fama: dourado brilhante , aromas deliciosos e requintados de mel e amêndoas . Boca elegante, equilíbrio e acidez surpreendentes. Fechou a  noite com chave de ouro.

 

 

 

Degustação às Cegas – Pinot Noir Pelo Mundo

 

Nossa confraria se reuniu dessa vez no restaurante Marcel para um embate de Pinot Noir pelo Mundo.

Enquanto aguardávamos o serviço dos vinhos, saboreamos uma deliciosa champagne trazida pelo coordenador do mês, o Giba. Uma René Geoffroy da safra de 2005, simplesmente extraordinária, elegância pura. Dourada brilhante, exalava deliciosos aromas de brioche com grande complexidade. No palato é cremosa, muito equilibrada, acidez na medida, persistente e deixando um final de boca delicioso. Um exemplo perfeito do que uma champagne de qualidade pode ser.

O sommelier nos avisa que os vinhos já estão servidos, então seguimos para a mesa.

Abaixo minhas descrições sobre os vinhos, do último ao primeiro lugar na minha classificação.

 

 

  • Paul Hobbs Pinot Noir Lindsay Vineyard Russian River 2008

Os Pinot Noir que Paul Hobbs produz em Sonoma County, California, são lendários. Segundo Parker seus aromas são sublimes e comparáveis aos grandes de Cote de Nuits. Com 14,6 % de álcool, esse vinho amadurece por 14 meses em barricas francesas 80% novas.

Coloração rubi de média profundidade. Aromas bastante intensos de cerejas maduras, muito potente, claramente do Novo Mundo ( sorry, Parker). Boca muito frutada, frutas muito maduras. Quente, encorpado, bastante longo e impressionante. Achei que era da Nova Zelândia.

 

  • Hermitage La Sizeranne 2004 ( curinga )

O curinga da vez veio agressivo! Esse Syrah clássico de uma das maiores referências do Rhone Nord, M. Chapoutier.

Coloração granada profunda, apresentou uma explosão de frutas negras, notas de torrefação e muita complexidade. No palato é encorpado, taninos presentes e de ótima qualidade, bastante equilibrado. Sua persistência ficou um pouco a desejar, achei que ele poderia ser mais longo.

 

  • Franz Haas Pinot Nero 2007

Esse produtor elabora grandes vinhos no Alto Adige, colinas de Pinzano e Gleno na comuna de Montagna, e em Mazzon na comuna de Egna. Muito conhecido por seus Pinots, esse vinho estagia 12 meses em barricas de carvalho francês.

De coloração rubi com média profundidade, apresentou aromas levemente canforados, menta e fruta vermelha intensa. Em boca tem bom corpo, notas de chocolate, boa fruta. Equilibrado e com persistência média.

  • Gevrey Chambertin 2005

Do produtor Bruno Clair, um belo representante da Borgonha.

Rubi de média profundidade, apresentou aromas terrosos e caça, com boa complexidade e qualidade. No palato é potente, taninos finos, bastante longo e com acidez perfeita.

 

  • Clos Vougeot Grand Cru 2005

Produzido por Javouhey , esse vinho representou uma das mais aclamadas denominações do planeta.

Visual rubi escuro e profundo.

O nariz inicialmente foi prejudicado por estar fechado, demorou bastante para abrir. Aromas de caça, cogumelos, frutas vermelhas e grande complexidade.

Em boca tem corpo médio para alto, taninos finíssimos, muito frescor revelando a excelente acidez. Muito longo e com um final de boca frutado e aveludado. Grande vinho.

 

  • Joseph Drouhin Cuvée Laurenne 2007

Esse vinho é produzido no Oregon pelo grande produtor francês Joseph Drouhin. Há anos vejo ele bater grandes Pinots em degustações às cegas, é muito comum ficar no podium. Pena que depois da fama seu preço dobrou. Possui 13,9% de álcool.

Rubi de média profundidade . Aromas de frutas vermelhas com notas de cerragem e toques defumados.

Na boca tem boa fruta, taninos bastante finos com leves notas de torrefação. Vinho bastante elegante. E equilibrado.

 

  • Torres Mas Borrás 2008

Raro Pinot Noir de Miguel Torres, produzido na região de Penedes. 14% de álcool.

Visual rubi de média profundidade.

Nariz complexo, notas animais, couro, cerejas maduras, terra. Intenso.

Na boca é equilibrado e elegante, apresentando alta complexidade. Taninos finos, ótima acidez, longo e com um final de boca delicioso. Foi o campeão da noite para o grupo também.

 

A classificação geral do grupo foi: Mas Borrás, Laurenne, Paul Hobbs, Hermitage, Clos Vogeout,  Gevrey e Fran Hass.

 

Nosso jantar estava impecável, produções de Raphael Despirite com destaques para o boeuf bourguignonne e o souflet  de chocolate na sobremesa. Para acompanhar o doce nosso coordenador do mês abriu um Royal Tokaji 5 Puttonyos 2006. Dourado brilhante, nariz para lá de elegante com notas de mel de laranjeira. Boca deliciosa com notas de laranja, frescor incrível e persistência enorme. Um grandíssimo vinho para finalizar a deliciosa noite que com certeza ficará para sempre em nossas memórias.

Harmonização de Vinhos com Fondue – Sbav-SP

 

O restaurante Florina, tradicional casa especializada na gastronomia suíça em São Paulo, recebeu os confrades da SBAV para uma harmonização entre vinhos e fondue.

A falta de tradição no consumo de vinhos brancos no Brasil faz com que frequentemente se observe pessoas bebendo vinhos tintos acompanhando o fondue de queijo. Normalmente essa experiência torna cada vez mais difícil o próximo gole, muitas vezes tornando o conjunto um pouco “ enjoativo”. Por outro lado os vinhos brancos costumam oferecer um excelente casamento,  principalmente se possuir boa acidez para contrabalancear a gordura do queijo e corpo suficiente para que o sabor intenso do queijo não “ atropele” o vinho.

Nossa proposta foi de cada confrade levar um vinho embrulhado em alumínio para às cegas elegermos a melhor combinação. Devido ao grande número de pessoas resolvemos dividir em 2 grupos e elegermos o campeão de cada um.

No primeiro grupo o vencedor foi um Chardonnay da região do Veneto, mais precisamente Colli Euganei, do produtor Vignalta da safra 2008. Importado pela Cardápio Itália ( www.cardapioitalia.com.br ) , esse branco de alto nível é produzido nas montanhas próximas à Veneza, em solo vulcânico. É um Chardonnay diferente do estilo Novo Mundo, com toques minerais evidentes, acidez pronunciada, bom corpo e equilíbrio. Sua harmonização com o fondue foi excelente.

No estilo oposto, praticamente empatado com o italiano, ficou o Leyda Chardonnay Single Vineyard 2005 . Proveniente do Vale de Leyda, esse chileno é produzido próximo ao litoral recebendo influências marítimas. Vinho exuberante, notas de maracujá e um interessante aroma de milho verde. Encorpado, madeira evidente , um belo exemplar de Chardonnay chileno. Para aqueles que gostam de vinhos mais modernos se saiu muito bem com o fondue.

Outros vinhos apresentados foram um Chardonnay do Club de Sommeliers, do Grupo Pão de Açúcar. Vinho simples e bem feito do Sudoeste da Austrália, não conseguiu segurar a potência de sabor dos queijos fortes da Suíça.

Um Cava Sumarroca 2005 estava excelente, vinho muito fresco com aromas minerais, bastante elegância e frescor em boca, O único representante dos espumantes não combinou bem com os queijos, faltando harmonia.

Tivemos um Roero Arneis representando o Piemonte, da  safra 2005. Seus aromas estavam muito sutis, com notas herbáceas e pouca complexidade. No palato possui bom equilíbrio, persistência baixa e boa acidez. Talvez os anos o fizeram perder algumas notas aromáticas tradicionais desse tipo de vinho. Acabou desaparecendo na harmonização.

No grupo 2 o vencedor foi também um chardonnay, dessa vez representando a região do Douro, o Quinta do Cidrô 2009. Com 14% de álcool e produzido pela Real Companhia Velha, o vinho apresentou aromas de frutas brancas ( pera) , notas florais e lácteas com madeira bem integrada. Na boca é encorpado, boa acidez e persistente, muito equilibrado.

Os outros vinhos tiveram votos muito diversos, apenas 1 para cada. Eram eles o alsaciano Domaine Ostertag 2006, um riesling floral, com leves notas oxidativas, boa acidez e frescor. Um Dolceto D’Alba 2009 Batasiolo e Kenwood 1997 Cabernet Sauvignon 1997 representaram os tintos. O californiano estava fantástico: Com 14,3 % de álcool possuía um nariz muito elegante, ainda com bastante fruta e notas de bosque. No palato apresentou notas de frutas negras e toque terroso, com boa complexidade, longo e muito equilibrado. Grande vinho, harmonizou bem com o fondue. Houve também um Montefalco Bianco Colle de Giove 2010. Produzido por Fratelli Pardi , representando a Umbria. Vinho bem feito e equilibrado, mas não tinha estrutura suficiente para harmonizar com o fondue.

Para a sobremesa foi servido um fondue de chocolate acompanhados por um Porto Tawny e um Madeira simples, sendo que a preferência geral foi pelo Madeira.

A conclusão de nosso agradável encontro foi de que vinhos brancos com boa estrutura, desde que possuam acidez pronunciada fazem uma ótima dupla com os fondues de queijo, principalmente a tão conhecida Chardonnay.